Por que não temos animais em nossa escola?

Por Samara Pirini - Bióloga e Pedagoga

Tenho visto muitas escolas aqui em São Paulo, principalmente agora durante a pandemia, adquirindo animais como coelhos e jabutis. Como bióloga, tenho opinião contrária a essa prática.

Devemos fazer vários questionamentos quanto a isso: essas escolas estão proporcionando um enriquecimento ambiental adequado para esses animais? O manejo desses animais é realizado de forma que preserve sua natureza comportamental e fisiológica? Ou seja, a alimentação, interações sociais, estímulo aos comportamentos naturais, adequação do ambiente, etc. Durante o período de finais de semana e férias escolares, há um responsável por cuidar dos animais adequadamente? A proposta pedagógica que envolve esses animais foi planejada de acordo com todas essas questões? Esses animais possuem acompanhamento de um veterinário?

Aqui no Educandário Turma do Leãozinho trabalhamos a Educação Ambiental de forma afetiva, abordando a preservação da natureza como um ambiente em que fazemos parte no dia a dia.

“É difícil obter resultados diferentes repetindo sempre o mesmo padrão de comportamento”

Ao tratar diretamente do assunto “natureza” as crianças dizem que não podemos destruí-la ou tirar os animais de suas casas. A relação de afetividade da criança com a natureza é tão intrínseca, que quando conversamos sobre os animais (até mesmo os insetos que aparecem aqui no jardim da escola), elas dizem que não podemos fazer interferências, pois se esses animais não voltarem para suas casas, suas mães sentirão sua falta e ficarão muito tristes. Assim, vamos compreendendo e correlacionando a multiplicidade de visões relacionadas ao meio ambiente, trocando e confrontando saberes, incorporando novos conceitos e estimulando mudanças de comportamento.

Samara Pirini – Bióloga e Pedagoga, responsável pelos projetos de Educação Ambiental

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